Posts tagged ‘Portuguese’

04/03/2011

Portugal, colônia do Brasil? Uma proposta

Por Patrícia Melo Franco, da Folha de São Paulo

O jornal inglês “Financial Times” saiu com uma proposta inusitada nesta semana: o Brasil deveria anexar Portugal, que se tornaria uma província brasileira, abandonando a União Europeia. O jornal não poupou críticas ao estado atual da nação portuguesa, mergulhada em dívidas, desemprego recorde e com um primeiro-ministro demissionário porque não conseguiu apoio para seu plano de austeridade.

Já o Brasil, antiga colônia portuguesa, cresceu humilhantes 7,5% ano passado e é mercado cobiçado e garantidor de resultados das multinacionais portuguesas como a Portugal Telecom. Enquanto Portugal o Brasil saiu da lista de devedores do Fundo em 2005, e hoje em dia é credor líquido internacional. Daí a ideia de inverter os papéis entre antigos metrópole-colônia.

A proposta do “FT”, obviamente, é uma piada.

Mas é fato que a presidente Dilma Rousseff foi recebida em Portugal nesta semana com ecos de sebastianismo. “Dilma veio com um discurso de parceria estratégica com Portugal, mas tudo o que os portugueses queriam era garantia de que o Brasil vai financiar a dívida portuguesa”, contou-me uma influente jornalista portuguesa. “Queríamos o Brasil salvando Portugal, a Dilma chegando com o cheque e investimentos.”

Portugal está tentando vender seus títulos até para o Timor. Mas, com o rebaixamento pelas agências de classificação de risco –estão a apenas dois degraus da nota ‘junk’– está difícil achar cliente. O país precisa de financiamento de € 21 bilhões entre abril e dezembro. A China, com US$ 3 trilhões de reservas internacionais, comprou apenas US$ 300 milhões de dívida pública portuguesa.

“Os discursos de Dilma e de Lula tiveram de incorporar a disponibilidade para ajudar Portugal na crise da dívida, embora, como se temia, além de palavras de circunstância e de vagas promessas, pouco de substancial tenha sobrado”, dizia o editorial de quinta-feira do jornal Público.

Quiçá os portugueses esperavam do Brasil a mesma generosidade que o caudilho Hugo Chávez demonstrou com a Argentina. Quando os portenhos eram párias absolutos no mercado internacional e o regime bolivariano estava no auge da riqueza dos petrodólares, Chávez foi era p único a financiar a dívida argentina, embora a taxas não muito camaradas.

Mas Dilma foi pragmática e não se comprometeu com nada. “No caso dos títulos, nós temos de cumprir os requisitos que dizem respeito ao uso das reservas do Brasil. Quais são os requisitos do banco central? Que sejam títulos triplo A”, disse. A Standard & Poor’s baixou a nota de risco de Portugal para BBB-. “A única alternativa é a possibilidade de comprar títulos que não são triplo A com garantia. Ou garantia real ou de algum ativo que supra essa deficiência”, completou Dilma.

Integrante da comitiva de Dilma em Portugal, o assessor internacional da presidência, Marco Aurélio Garcia, sublinhou que o Brasil precisa ser generoso com seus vizinhos, em entrevista a Assis Moreira, do Valor Econômico. Ele se referia à negociação das tarifas pagas aos paraguaios pela energia de Itaipu.

A ver se essa generosidade se estende aos países não vizinhos, mas historicamente irmãos.

 

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03/25/2011

Dilma atende pedido de Obama e vota contra o Irã

 

Por Deborah BerlinckEliane Oliveira, O Globo

A votação desta quinta-feira que marcou um rompimento do governo Dilma Rousseff com a postura de paciência do governo Lula em relação ao Irã atendeu a um apelo do presidente americano, Barack Obama, segundo um alto funcionário do executivo brasileiro.

De acordo com a fonte, durante sua visita ao Brasil, Obama pediu pessoalmente a Dilma que o Brasil fosse coautor da resolução que foi aprovada em Genebra , abrindo caminho para o Conselho de Direitos Humanos da ONU investigar as numerosas denúncias de violações imputadas ao governo de Mahmoud Ahmadinejad.

Proposta por Washington, a resolução foi aprovada por 22 votos a favor – entre eles o brasileiro – contra 7. Dilma não teria respondido ao pedido do presidente americano durante o encontro dos dois em Brasília. Fez mistério até o momento da votação, quando o Brasil sinalizou que, se havia uma política entre brasileiros e iranianos, esta foi fortemente abalada.

O voto contrasta com a decisão do Brasil de optar, em novembro passado, pela abstenção na votação de uma resolução num comitê da Assembleia Geral condenando o desrespeito aos direitos humanos no Irã. A medida pedia o fim dos apedrejamentos, as perseguições a minorias étnicas e os ataques a jornalistas.

 

03/23/2011

All hail the Pibão

The Economist
Mar 10th 2011, 19:08 by H.J. | SÃO PAULO

BEFORE I came to Brazil I was baffled by the suffix “inho” (feminine form: “inha”). It is used a lot in Brazilian Portuguese, my textbook explained: as a diminutive; as an endearment; for emphasis; to indicate displeasure—and my favourite, “in a manner that is characteristic of the language, without defined meaning”. I guess you have to be Brazilian to get all the nuances, but now that I’ve lived here for all of eight months I’m starting to get a handle on some of them.

It makes nicknames: the footballer Ronaldinho was christened Ronaldo (it is, by the way, pronounced “een-you”, so unless you speak Portuguese you’ve probably been saying his name wrong). As a diminutive I hear it all the time: “Só um minutinho” (Just a moment); “Pouquinho mais?” (A little more?). A “velhinha” is a little old lady. But “obrigadinho(a)” means “Thanks a lot”, with even more doubtfulness of interpretation than in English. (Grateful? Caressing? Sarcastic? Cross?) From observation, the interrogative “Cafezinho?” appears to mean: “Would you like a small, vilely strong and oversweetened cup of coffee?” Often, as far as I can tell, it means little more than: “It’s been a few minutes since I’ve added ‘inho’ to anything, so I’ll stick it on to this noun, right here.”

It’s so multi-purpose that my family has started sprinkling it around, even in English: my five-year-old has a “skateboard-inho” and when we fly we keep our “suitcase-inho” with us in the cabin. I’m now thinking about adding another hard-working Portuguese suffix to my English vocabulary: the augmentative “ão”. Lots of Portuguese words end with this sound, which comes out like “ow” with nasalisation, like the French hum in “bon”. Add it to a word that doesn’t have it, and you make it bigger or stronger: your boss is a “chefe”, but a Big Boss is a “chefão”, and there is a well-known all-you-can-eat steak house in Rio de Janeiro called “Porcão”. (“Porco” means pig.)

The “ão” suffix got an outing on the national stage on March 3rd, when last year’s GDP figures were released. Brazil grew by 7.5%, a rate it hasn’t managed since 1986. How to express the sheer immensity of one’s pleasure? Such a prodigious achievement! Such a colossal economy! For Brazilian politicians and commentators it was easy: take the Portuguese acronym for gross domestic product (PIB: produto interno bruto), stick “ão” on the end and declare Brazil the proud possessor of a “Pibão”. Dilma Rousseff, the president, even declared the “Pibão” to be “bão”. To express that in English you would need to say something absurdly clumsy like: “The mega-GDP was mega-good.” I feel another attack of Portuglish coming on.