Archive for ‘Portuguese Language’

04/12/2011

China promete a Dilma abrir um centro de pesquisa em Campinas

Por FABIANO MAISONNAVE, da Folha em Pequim

No primeiro encontro de Dilma Rousseff em Pequim, o presidente da empresa de telecomunicações da Huawei, Ren Zhengfei, informou que a empresa quer abrir um centro de pesquisa e desenvolvimento de até US$ 350 milhões na região de Campinas (SP).

Ren disse ainda que fará a doação de equipamentos de computação avaliados em US$ 50 milhões para universidades brasileiras e presenteou Dilma com um quadro de pandas.

“Ele disse para a presidenta com muita firmeza que a operação deles no Brasil vai se expandir e que o próximo passo é um centro de pesquisa e desenvolvimento”, disse hoje o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel.

Segundo ele, a empresa está interessada em participar do plano do governo para expansão da banda larga.

Dilma aterrissou em Pequim por volta das 10h30 (11 horas a mais do que Brasília) desta segunda-feira e não saiu do hotel durante todo o dia. Além de Ren, ela apenas se reuniu com assessores.

Amanhã, Dilma se reúne com dirigente máximo da China, Hu Jintao. A viagem de seis dias inclui a ainda a participação na cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) e uma visita aos guerreiros de Xian, no centro do país.

Em paralelo à visita presidencial, começou ontem um fórum com a presença de mais de 300 executivos brasileiros, numa tentativa de aproximar empresas do país ao mercado chinês.

“A posição do governo é ter uma relação cada vez melhor com a China. A China é hoje o principal parceiro comercial do Brasil. É uma grande compradora de commodities brasileiras, nos interessa que ela continue sendo uma grande compradora. Mas nos interessa abrir também uma nova etapa, em que a gente seja parceiro na área de ciência e tecnologia, na área de pesquisa. O objetivo dessa visita da presidenta Dilma é inaugurar essa nova etapa”, afirmou Pimentel.

 

04/06/2011

Lula inicia nos EUA carreira de palestrante internacional

Por ANDREA MURTA, da Folha em Washington

Com um discurso sobre educação no Brasil em evento da Microsoft, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura hoje em Washington uma série de palestras internacionais, que promete manter sua agenda cheia por um bom tempo.

Será sua primeira fala remunerada no exterior desde que deixou a Presidência.

Nos próximos dias, fará outras duas: na sexta-feira, em Acapulco, para a Associação dos Bancos do México; e na próxima semana, em Londres, para investidores em evento da Telefónica.

O valor da remuneração que ele vai receber pela palestra nos EUA não foi revelado, mas deve ser superior ao cachê previsto para o Brasil (em torno de R$ 200 mil).

Lula chegou à capital americana ontem, em avião emprestado pela Coteminas.

Pela manhã, se encontrou com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno.

Os dois discutiram a possibilidade de ações comuns entre o órgão e o Instituto Lula. Um ponto de interesse é a aproximação do Brasil com a África.

O ex-presidente almoçou com o embaixador do Brasil em Washington, Mauro Vieira, e pretendia passar a tarde revisando o discurso de hoje e passeando –queria ver as cerejeiras locais.

Lula deve partir hoje mesmo para Acapulco e viajar para Londres na próxima terça. Na capital inglesa, além de fazer o discurso a investidores, o ex-presidente pretende se reunir com o historiador Eric Hobsbawm.

No fim de semana, Lula vai para a Espanha para receber o prêmio “Libertad Cortes de Cádiz”. Há uma preocupação nesta viagem –ele quer assistir ao jogo de futebol entre o Barcelona e o Real Madrid, mas ainda não sabe se haverá tempo.

Bem remunerado com as palestras, o ex-presidente não pretende receber recursos federais com duas de suas iniciativas _o Instituto Lula (que viverá de contribuições, inclusive do PT) e a empresa que gerencia suas palestras.

Um terceiro projeto, chamado de Memorial da Democracia, poderá vir a receber verba pública.

 

04/03/2011

Portugal, colônia do Brasil? Uma proposta

Por Patrícia Melo Franco, da Folha de São Paulo

O jornal inglês “Financial Times” saiu com uma proposta inusitada nesta semana: o Brasil deveria anexar Portugal, que se tornaria uma província brasileira, abandonando a União Europeia. O jornal não poupou críticas ao estado atual da nação portuguesa, mergulhada em dívidas, desemprego recorde e com um primeiro-ministro demissionário porque não conseguiu apoio para seu plano de austeridade.

Já o Brasil, antiga colônia portuguesa, cresceu humilhantes 7,5% ano passado e é mercado cobiçado e garantidor de resultados das multinacionais portuguesas como a Portugal Telecom. Enquanto Portugal o Brasil saiu da lista de devedores do Fundo em 2005, e hoje em dia é credor líquido internacional. Daí a ideia de inverter os papéis entre antigos metrópole-colônia.

A proposta do “FT”, obviamente, é uma piada.

Mas é fato que a presidente Dilma Rousseff foi recebida em Portugal nesta semana com ecos de sebastianismo. “Dilma veio com um discurso de parceria estratégica com Portugal, mas tudo o que os portugueses queriam era garantia de que o Brasil vai financiar a dívida portuguesa”, contou-me uma influente jornalista portuguesa. “Queríamos o Brasil salvando Portugal, a Dilma chegando com o cheque e investimentos.”

Portugal está tentando vender seus títulos até para o Timor. Mas, com o rebaixamento pelas agências de classificação de risco –estão a apenas dois degraus da nota ‘junk’– está difícil achar cliente. O país precisa de financiamento de € 21 bilhões entre abril e dezembro. A China, com US$ 3 trilhões de reservas internacionais, comprou apenas US$ 300 milhões de dívida pública portuguesa.

“Os discursos de Dilma e de Lula tiveram de incorporar a disponibilidade para ajudar Portugal na crise da dívida, embora, como se temia, além de palavras de circunstância e de vagas promessas, pouco de substancial tenha sobrado”, dizia o editorial de quinta-feira do jornal Público.

Quiçá os portugueses esperavam do Brasil a mesma generosidade que o caudilho Hugo Chávez demonstrou com a Argentina. Quando os portenhos eram párias absolutos no mercado internacional e o regime bolivariano estava no auge da riqueza dos petrodólares, Chávez foi era p único a financiar a dívida argentina, embora a taxas não muito camaradas.

Mas Dilma foi pragmática e não se comprometeu com nada. “No caso dos títulos, nós temos de cumprir os requisitos que dizem respeito ao uso das reservas do Brasil. Quais são os requisitos do banco central? Que sejam títulos triplo A”, disse. A Standard & Poor’s baixou a nota de risco de Portugal para BBB-. “A única alternativa é a possibilidade de comprar títulos que não são triplo A com garantia. Ou garantia real ou de algum ativo que supra essa deficiência”, completou Dilma.

Integrante da comitiva de Dilma em Portugal, o assessor internacional da presidência, Marco Aurélio Garcia, sublinhou que o Brasil precisa ser generoso com seus vizinhos, em entrevista a Assis Moreira, do Valor Econômico. Ele se referia à negociação das tarifas pagas aos paraguaios pela energia de Itaipu.

A ver se essa generosidade se estende aos países não vizinhos, mas historicamente irmãos.

 

03/31/2011

Gênio do Facebook de olho no Brasil

Por CAMILA FUSCO, da Folha de São Paulo

Depois de mais de uma década vivendo fora do Brasil e distante do empresariado nacional, o brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, começa a se reaproximar do país.

Segundo a Folha apurou, o executivo já declarou a amigos próximos o interesse em viajar ao Brasil nos próximos meses em uma missão que vai além do turismo, como fez das últimas vezes -a última delas há dois anos.

Seu objetivo, segundo relatam esses amigos, é analisar negócios de empresas brasileiras iniciantes de tecnologia (“start-ups”), que atraem cada vez mais o interesse de fundos estrangeiros.

De acordo com executivos do setor, a intenção de Saverin é atuar como investidor-anjo, fornecendo capital para empresas com plano de negócio em estágio inicial, em que poderia investir até US$ 1 milhão. A análise porém, está apenas no início.

Divulgação
O brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook
O brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook

A tarefa de convencer Saverin a desembolsar seus dólares, porém, não será fácil. O brasileiro estuda minuciosamente o histórico dos administradores e o potencial de gestão das empresas candidatas a investimento.

No Brasil, Saverin busca projetos de internet que tenham perspectivas de negócio semelhantes às obtidas pela Vostu, empresa de jogos para Facebook e Orkut.

Criada pelo trio de empresários Daniel Kafie, Mario Schlosser e Josh Kushner –egressos do MBA de Harvard, mesma instituição onde Saverin cursou economia–, a Vostu conseguiu em dois anos conquistar cerca de 40 milhões de brasileiros.

No entanto, segundo amigos de Saverin, a Vostu não estaria nos planos de investimentos do brasileiro por estar capitalizada.

Saverin normalmente faz aportes diretos nas “start-ups”, mas não raro encontra outros ex-empreendedores, como na Qwiki, onde é sócio de Jawed Karin, cofundador do YouTube que vendeu o portal ao Google em 2006.

O relacionamento, porém, não é exatamente próximo. “Ainda não tive chance de falar com ele diretamente”, afirmou Karin à Folha, em entrevista por e-mail.

PERFIL

Paulistano, mas criado nos EUA, Saverin ganhou reconhecimento por ter criado, ao lado de Mark Zuckerberg, o Facebook ainda como estudante de economia na Universidade Harvard.

Após disputa judicial em 2005 sobre participação acionária com Zuckerberg -depois de ter sua parte reduzida de cerca de 35% para 5%-, passou a olhar o setor de tecnologia como investidor.

Depois de morar em Miami, Nova York e no Vale do Silício, está baseado em Cingapura, a partir de onde analisa negócios com companhias iniciantes.

RAIO-X DE EDUARDO SAVERIN

IDADE
29 anos

NACIONALIDADE
Brasileiro, mas cresceu nos Estados Unidos

FORMAÇÃO
Economia, em Harvard (2006)

PRINCIPAIS NEGÓCIOS
Petróleo, Facebook, Qwiki (ferramenta multimídia), Anideo (aplicações web) e Jumio (pagamento on-line)

 

03/25/2011

Dilma atende pedido de Obama e vota contra o Irã

 

Por Deborah BerlinckEliane Oliveira, O Globo

A votação desta quinta-feira que marcou um rompimento do governo Dilma Rousseff com a postura de paciência do governo Lula em relação ao Irã atendeu a um apelo do presidente americano, Barack Obama, segundo um alto funcionário do executivo brasileiro.

De acordo com a fonte, durante sua visita ao Brasil, Obama pediu pessoalmente a Dilma que o Brasil fosse coautor da resolução que foi aprovada em Genebra , abrindo caminho para o Conselho de Direitos Humanos da ONU investigar as numerosas denúncias de violações imputadas ao governo de Mahmoud Ahmadinejad.

Proposta por Washington, a resolução foi aprovada por 22 votos a favor – entre eles o brasileiro – contra 7. Dilma não teria respondido ao pedido do presidente americano durante o encontro dos dois em Brasília. Fez mistério até o momento da votação, quando o Brasil sinalizou que, se havia uma política entre brasileiros e iranianos, esta foi fortemente abalada.

O voto contrasta com a decisão do Brasil de optar, em novembro passado, pela abstenção na votação de uma resolução num comitê da Assembleia Geral condenando o desrespeito aos direitos humanos no Irã. A medida pedia o fim dos apedrejamentos, as perseguições a minorias étnicas e os ataques a jornalistas.