Archive for ‘US-Brazil Relations’

04/06/2011

Pré-sal ganha destaque em ação republicana contra reeleição de Obama

Da Folha

O Comitê Nacional Republicano partiu para o ataque contra a precoce campanha à reeleição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciada nesta segunda-feira. Entre as “vítimas” da ofensiva, está o Brasil e o interesse de Obama pelo petróleo da camada do pré-sal, apontado como uma contradição com suas promessas de reduzir a dependência dos americanos em petróleo estrangeiro.

No vídeo abaixo postado no YouTube, Obama aparece em fotos com a presidente Dilma Roussef, em sua recente visita ao Brasil, e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (e a tradicional camisa da seleção brasileira).

“O petróleo que vocês recentemente descobriram na costa do Brasil […] nós queremos ser um de seus melhores clientes”, narra o próprio Obama, em frases retiradas de seu discurso ao lado de Dilma, em Brasília, em 19 de março. Na época, Obama disse ainda que os EUA vão compartilhar seu conhecimento e tecnologia com o Brasil para exploração dessas reservas.

As imagens são sobrepostas por um slogan de cores democratas com a frase “Obama pede bilhões para o petróleo brasileiro”, título de um vídeo da rede Foxnews, conhecida por sua linha editorial alinhada aos ideais republicanos.

Pouco antes, o narrador diz com ironia e sobre imagens de um brinde com taças de champanhe: “celebrando o fim da dependência em energia estrangeira”.

O comercial escolhe, contudo, ignorar a mais recente citação do Brasil no discurso de Obama no qual estabeleceu a meta de cortar em um terço a importação de petróleo nos próximos dez anos.

Nele, Obama citou o Brasil como um exemplo do uso de biocombustíveis. “Se alguém duvida do potencial desse combustível, veja o Brasil. Mais da metade, dos veículos no Brasil rodam com biocombustíveis”, mencionou Obama ao falar se segurança energética nos EUA.

Este tipo de propaganda agressiva é muito comum na campanha eleitoral americana, que não poupa edições tendenciosas, associações e ironia para mostrar ao eleitor os perigos de votar em um candidato.

Dilma Roussef cumprimenta Barack Obama, no Palácio; imagem é usada para apontar contradição do americano

Sem um nome claro para concorrer com Obama, os republicanos parecem dispostos a usar todo o armamento disponível.

Neste mesmo anúncio de um minuto, a lista de contradições apontadas inclui as declarações de Obama de que não descansará (estrategicamente ilustradas com imagens de suas férias) e reuniões com personalidades importantes (com imagens de seu encontro com artistas como o ex-Beatles Paul McCartney e os Jonas Brothers).

Obama é criticado ainda pela “revolução” do método de gastar mais para cortar o deficit orçamentário, antes de aparecer montado em um unicórnio e deixando um rastro em forma de arco-íris. “Mais quatro anos”, encerra o narrador, com certo tom de ameaça.

 

04/06/2011

Lula inicia nos EUA carreira de palestrante internacional

Por ANDREA MURTA, da Folha em Washington

Com um discurso sobre educação no Brasil em evento da Microsoft, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura hoje em Washington uma série de palestras internacionais, que promete manter sua agenda cheia por um bom tempo.

Será sua primeira fala remunerada no exterior desde que deixou a Presidência.

Nos próximos dias, fará outras duas: na sexta-feira, em Acapulco, para a Associação dos Bancos do México; e na próxima semana, em Londres, para investidores em evento da Telefónica.

O valor da remuneração que ele vai receber pela palestra nos EUA não foi revelado, mas deve ser superior ao cachê previsto para o Brasil (em torno de R$ 200 mil).

Lula chegou à capital americana ontem, em avião emprestado pela Coteminas.

Pela manhã, se encontrou com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno.

Os dois discutiram a possibilidade de ações comuns entre o órgão e o Instituto Lula. Um ponto de interesse é a aproximação do Brasil com a África.

O ex-presidente almoçou com o embaixador do Brasil em Washington, Mauro Vieira, e pretendia passar a tarde revisando o discurso de hoje e passeando –queria ver as cerejeiras locais.

Lula deve partir hoje mesmo para Acapulco e viajar para Londres na próxima terça. Na capital inglesa, além de fazer o discurso a investidores, o ex-presidente pretende se reunir com o historiador Eric Hobsbawm.

No fim de semana, Lula vai para a Espanha para receber o prêmio “Libertad Cortes de Cádiz”. Há uma preocupação nesta viagem –ele quer assistir ao jogo de futebol entre o Barcelona e o Real Madrid, mas ainda não sabe se haverá tempo.

Bem remunerado com as palestras, o ex-presidente não pretende receber recursos federais com duas de suas iniciativas _o Instituto Lula (que viverá de contribuições, inclusive do PT) e a empresa que gerencia suas palestras.

Um terceiro projeto, chamado de Memorial da Democracia, poderá vir a receber verba pública.

 

04/01/2011

For Hedge Fund Investors, Brazil Is the Country of Now

BY AZAM AHMED, The New York Times

Cars at the port in Rio de Janeiro. Last year, Brazil's economy grew 7.5 percent, attracting the interest of hedge funds.
Antonio Scorza/Agence France-Presse — Getty ImagesCars at the port in Rio de Janeiro. Last year, Brazil’s economy grew 7.5 percent, attracting the interest of hedge funds.

Ten years ago, Goldman Sachs proclaimed that Brazil was among the new economic powerhouses. Now it is the next frontier for hedge funds.

Looking to capitalize on the fast-growing region, global hedge fund managers have started to descend on Brazil. The industry’s biggest players are wooing top talent, opening new offices and buying local firms — all part of a broader effort to expand their investment reach.

“Latin America suffered because it was always believed that ‘Brazil is the man of the future and always will be,’” said Marko Dimitrijevic, founder of Everest Capital, a Florida-based emerging market hedge fund that oversees $2 billion. “But it looks like the future is now.”

Late last year, JPMorgan Chase’s Highbridge Capital purchased a majority stake in Gávea Investimentos, a top Brazilian hedge fund. Brevan Howard, one of Europe’s largest hedge funds, recently set up shop in São Paulo. This week, the first Hedge Fund Brazil Forum, an industry conference held at the Copacabana Palace Hotel in Rio de Janeiro, drew hundreds of attendees, including representatives from premier shops like Paulson & Company and SAC Capital Advisors.

In all, hedge fund assets devoted to the region rose 75 percent, to $21.4 billion, in 2010, according to data from Hedge Fund Research.

The strategy follows a well-worn playbook for hedge funds. Just as firms moved into Hong Kong to gain entry to the lucrative Chinese market a decade back, they are using Brazil as a beachhead for the rest of Latin America. The Hedge Fund Association planted an official industry flag on Wednesday, establishing a regional chapter with a local outpost in Brazil.

The appeal is obvious. While many developed countries have sputtered amid weak economic growth, Brazil has continued to thrive, given its rich reserve of natural resources and growing middle class. Last year, the country’s gross domestic product increased 7.5 percent — helping catapult Brazil ahead of Britain and France to become the fifth-largest economy in the world.

“In the past five years, about 34 million Brazilians entered the middle class,” said Oscar Decotelli, a partner at Vision Brazil Investments, a $2 billion alternative investment firm based in São Paulo. “This for a population of 200 million is significant. Brazil is not just a commodity story, but a very strong domestic story.”

Brazil may also benefit from a shifting emphasis in developing countries. Money has poured into China and the rest of region in recent years, prompting fears that the region is a bubble ready to burst. Asia, excluding Japan, accounts for half of hedge fund assets dedicated to emerging markets. By comparison, Latin America represents roughly 11 percent.

“People were a lot more bullish on Asian markets over the last two to three years because everything seemed to be going one way,” said Anurag Bhardwaj, head of strategic consulting at Barclays Capital, which is set to publish a survey on investor sentiment in April. “Investors are looking to other markets less correlated but with good fundamentals, and Brazil definitely falls into that category.”

Even so, the region faces headwinds. While Latin America has been relatively strong coming out of the global economic crisis, analysts are becoming increasingly concerned about inflation. The investment bank Goldman Sachs recently cut its growth forecasts for Brazil for 2011 and 2012.

Investors, too, are worried that the flood of new money piling into the market could eventually lead to diminished returns. Over the last five years, the MSCI Latin America index has gained an annualized 13 percent — the best performance of any emerging market region.

“What is the famous saying? If the taxi driver is talking about an investment, you know it’s time to sell,” said Mr. Decotelli of Vision Brazil.

But Mr. Decotelli says he thinks Brazil and the rest of the Latin America are still at the beginning of a growth story. The addition of large institutional players should help the market evolve, rather than hold it back.

“We’re still an industry very much dominated by local investors,” he said. “It is very important we are open to the international community. We will have better liquidity and diversification of strategies.”

As they explore this new territory, hedge funds are looking to well-connected executives with strong local ties. As in Asia, firms are tapping prominent names to lead their efforts, giving them much-needed political and business contacts in the country.

When Highbridge purchased a majority stake in Gávea last year for $6 billion, the deal came with the firm’s marquee founder, Arminio Fraga, the former president of the central bank of Brazil. Brevan Howard tapped Mario Mesquita, former deputy of the country’s central bank, to run its new research operations in Brazil.

A local presence serves two purposes. First, it allows for quick, on-the-ground research. That’s especially important as companies look increasingly beyond their borders for growth. In the first quarter of the year, deals aimed at Brazil amounted to $13.2 billion, a 370 percent increase over the comparable period in 2010, according to Thomson Reuters.

Second, hedge funds can better woo potential investors in the region, a newfound source of wealth. Last spring, Morgan Stanley opened a hedge fund office in São Paulo to service Latin American clients.

“Some people built too much too fast in Hong Kong, so as a general matter they are going to approach Brazil with more of a ‘Hey, let’s try this out’ rather than ‘Let’s put 16 people on the ground right away,’ ” said Daniel Hunter, a partner at the law firm Schulte Roth & Zabel. “All I can tell you is that there is definitely a desire in parts of the hedge fund space to find out what’s going on in Brazil and find out how to tap into it.”

 

03/30/2011

Tomorrow: Brasil em pauta na University of Chicago

O Center for Latin America Studies, da Universidade de Illinois em Chicago, apresentará o seminário “Oil, Euphoria and Brazil’s Future: The Politics of Potential and Limitation”.

O palestrante será Norman Gall.

In English: Norman Gall, executive director of the Fernand Braudel Institute of World Economics, which is engaged in research, public debate and social action on Brazil’s institutional problems, with emphasis on education, energy policy and public finance. Norman received the 2010 Maria Moors Cabot Prize from the Columbia University Journalism School for his 50 years of reporting and research on Latin America.

Mr Gall is the editor of the Braudel Papers, a bi-monthly newspaper of research and opinion, published in English, Portuguese and Spanish.
He has been engaged in reporting and research on Latin America since 1961 with his work appearing in The New York Times, The Wall Street Journal, The Washington Post, The Economist, among others. He has also been consultant to Exxon Corporation (1979), World Bank (1984-85; 1989-90), United Nations (1985), Technoplan (1993).

Será dia 31, próxima sexta-feira, às 17h30, na SS122 – 1126 E 59th St.
The University of Chicago
O evento é gratuito e aberto ao público.

 

03/25/2011

Dilma atende pedido de Obama e vota contra o Irã

 

Por Deborah BerlinckEliane Oliveira, O Globo

A votação desta quinta-feira que marcou um rompimento do governo Dilma Rousseff com a postura de paciência do governo Lula em relação ao Irã atendeu a um apelo do presidente americano, Barack Obama, segundo um alto funcionário do executivo brasileiro.

De acordo com a fonte, durante sua visita ao Brasil, Obama pediu pessoalmente a Dilma que o Brasil fosse coautor da resolução que foi aprovada em Genebra , abrindo caminho para o Conselho de Direitos Humanos da ONU investigar as numerosas denúncias de violações imputadas ao governo de Mahmoud Ahmadinejad.

Proposta por Washington, a resolução foi aprovada por 22 votos a favor – entre eles o brasileiro – contra 7. Dilma não teria respondido ao pedido do presidente americano durante o encontro dos dois em Brasília. Fez mistério até o momento da votação, quando o Brasil sinalizou que, se havia uma política entre brasileiros e iranianos, esta foi fortemente abalada.

O voto contrasta com a decisão do Brasil de optar, em novembro passado, pela abstenção na votação de uma resolução num comitê da Assembleia Geral condenando o desrespeito aos direitos humanos no Irã. A medida pedia o fim dos apedrejamentos, as perseguições a minorias étnicas e os ataques a jornalistas.