Pré-sal ganha destaque em ação republicana contra reeleição de Obama

Da Folha

O Comitê Nacional Republicano partiu para o ataque contra a precoce campanha à reeleição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciada nesta segunda-feira. Entre as “vítimas” da ofensiva, está o Brasil e o interesse de Obama pelo petróleo da camada do pré-sal, apontado como uma contradição com suas promessas de reduzir a dependência dos americanos em petróleo estrangeiro.

No vídeo abaixo postado no YouTube, Obama aparece em fotos com a presidente Dilma Roussef, em sua recente visita ao Brasil, e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (e a tradicional camisa da seleção brasileira).

“O petróleo que vocês recentemente descobriram na costa do Brasil […] nós queremos ser um de seus melhores clientes”, narra o próprio Obama, em frases retiradas de seu discurso ao lado de Dilma, em Brasília, em 19 de março. Na época, Obama disse ainda que os EUA vão compartilhar seu conhecimento e tecnologia com o Brasil para exploração dessas reservas.

As imagens são sobrepostas por um slogan de cores democratas com a frase “Obama pede bilhões para o petróleo brasileiro”, título de um vídeo da rede Foxnews, conhecida por sua linha editorial alinhada aos ideais republicanos.

Pouco antes, o narrador diz com ironia e sobre imagens de um brinde com taças de champanhe: “celebrando o fim da dependência em energia estrangeira”.

O comercial escolhe, contudo, ignorar a mais recente citação do Brasil no discurso de Obama no qual estabeleceu a meta de cortar em um terço a importação de petróleo nos próximos dez anos.

Nele, Obama citou o Brasil como um exemplo do uso de biocombustíveis. “Se alguém duvida do potencial desse combustível, veja o Brasil. Mais da metade, dos veículos no Brasil rodam com biocombustíveis”, mencionou Obama ao falar se segurança energética nos EUA.

Este tipo de propaganda agressiva é muito comum na campanha eleitoral americana, que não poupa edições tendenciosas, associações e ironia para mostrar ao eleitor os perigos de votar em um candidato.

Dilma Roussef cumprimenta Barack Obama, no Palácio; imagem é usada para apontar contradição do americano

Sem um nome claro para concorrer com Obama, os republicanos parecem dispostos a usar todo o armamento disponível.

Neste mesmo anúncio de um minuto, a lista de contradições apontadas inclui as declarações de Obama de que não descansará (estrategicamente ilustradas com imagens de suas férias) e reuniões com personalidades importantes (com imagens de seu encontro com artistas como o ex-Beatles Paul McCartney e os Jonas Brothers).

Obama é criticado ainda pela “revolução” do método de gastar mais para cortar o deficit orçamentário, antes de aparecer montado em um unicórnio e deixando um rastro em forma de arco-íris. “Mais quatro anos”, encerra o narrador, com certo tom de ameaça.

 

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